5/22/09

Ressaca...

Esse texto é para o folder do projeto "Segunda tem Cinema". Mais detalhes aqui: http://hojetemcinema.wordpress.com/

[o texto abaixo está no folder distribuído durante a apresentação]

Estar de ressaca, em muitos sentidos, quer dizer que aproveitamos uma grande euforia por alguns instantes e, depois, temos que lidar com as consequências desses atos. Significa ter planos e adiá-los até o ponto em que sua não realização nos atinge como uma bala de canhão. Significa acreditar em seu próprio potencial, mas não realizar nada de verdade por medo de que a única coisa real seja sua própria fé nesse potencial.

Tanto o filme quanto o livro Alta Fidelidade (High Fidelity, de 2000, o filme, dirigido por Stephen Frears, o livro escrito por Nick Hornby) falam de chegar a um ponto da sua vida e não ter realizado nada de concreto. E isso gera uma imensa ressaca. Não por acaso o herói da história está, em geral, em casa reorganizando seus discos, na loja em que possui e passa o dia afugentando clientes com gosto musical ruim ou em um típico pub inglês.

Mas, afinal, acabar com a ressaca significa, necessariamente, amadurecer?

Muito da força da história está em não querer responder essa pergunta. Mesmo com algumas pequenas mudanças estruturais do livro para o filme, Rob (Gordon ou Fleming, a gosto do freguês) dá alguns passos tímidos em relação a assumir seu relacionamento, a expandir os negócios, mas, felizmente, não temos aqui aquele momento catártico típico das produções que vão direto para a Sessão da Tarde. Rob, pelo menos no que concerne a esse humilde jornalista, toma uma atitude em relação a sua vida não por ter colocado tudo em perspectiva e descoberto o quanto ele foi mal com as outras pessoas.

Ele dá tímidos passos a frente simplesmente porque está cansado de ouvir de seus pais, de sua [ex-] namorada e de seus amigos o quanto ele poderia ser e não é. Não existe iluminação nem nada do gênero. Só um homem que não entende muito bem em que errou no passado, se é que errou.

Alta Fidelidade (nome que funciona muito bem nas duas línguas) diz respeito tanto à loja e a coleção de discos (além, claro, da obsessão com música, que acaba permeando todo o filme), quanto de se manter fiel a si e a seus próprios sonhos. E isso, meus amigos, é muito mais real do que a maior parte das histórias que estamos acostumados a ouvir e ver.

[Texto escrito ao som do último ábum da banda Móveis Coloniais de Acaju, C_mpl_te, baixado legalmente no site da Trama Virtual]

5/2/09

O inferno...

...é uma festa de brancos de classe média ao som de hip hop feito por brancos de classe alta...

4/17/09

idéia para curta... (2)

na frente de um elevador no térreo de um prédio.

chega um homem. ele quer subir e, por isso, aperta o botão que solicita ao elevador para que pare quando estiver subindo.

chega um outro homem. conhecido do primeiro. eles se cumprimentam. o segundo aperta o botão de baixo. o que sinaliza que o elevador deve parar quando estiver descendo.

o primeiro estranha:

-reunião fora? vai para a garagem?

-não... só para o elevador chegar mais rápido!

nesse momento a câmera enquadra o primeiro homem. o ódio é visível em seu rosto. a câmera se desloca enquadrando o primeiro de baixo para cima. uma luz surge sobre a cabeça dele.

ele, então, percebe que sua mão direita está segurando, ao invés de uma pasta, uma espada samurai.

com um grito ele decepa a cabeça do segundo homem e sorri, feliz com seu feito.

corta para o rosto atônito do primeiro homem se dando conta que tudo não passou de um sonho. o elevador chega. o segundo homem entra. o primeiro não. o elevador se fecha e desce....

-- fim --

idéia para curta...

cenário: beco escuro
luz em penumbra e a câmera só deve enquadrar os atores de soslaio...

- cara, eu preciso de mais daquela parada da colômbia...
- só tenho para consumo próprio meu velho. vou ficar te devendo.
-mas eu preciso!!!
-se fudeu!
-puta que pariu! você me viciou e agora vai ficar nessa de amarrar mixaria?!!?
-calma criança. colombiana tá em falta. muita gente querendo. tá na moda. até os outros do chile e da bolívia tão em falta, e olha que nem é tão da boa assim... tem uma parada da argentina, mas de outro tipo. não sei se tu ia curti...
-cara... na fissura que eu to, to topando qualquer coisa...
- quanto tu tem aí?

[o comprador mostra uma nota de cem e mais duas de vinte]

-tamo rico ein doido!?!?! seguinte criança... vou te arrumar um desse argentino e uma parada russa...
-russa?
-é animal! deixa eu termina de fala e depois tu abre o bico!
-foi mal...
-favor de amigo, ein? tu é meu chegado... me arruma esses 40 conto que tu tem aí. pega essas paradas aqui. acho que tu vai curtir. se não quiser mais eu devolvo sua grana e ainda arrumo mais da colombiana. tranquilo?

[câmera enquadra a transação. a grana sendo trocada por dois pacotes diferentes. a câmera segue o comprador caminhando para fora do beco, com cuidado para não deixar cair os pacotes. ele chega em casa. abre e lá estão Lolita, do nabokov, em pocket book, e uma coletânea surrada de contos do Borges]

--- fim---

4/14/09

efeméride torta...

criei esse blog a exatos 3 anos, uma semana e dois dias. se eu tivesse vergonha na cara este post estaria no ar no dia do meu aniversário. mas isso implicaria em me manter sóbrio, ou na frente do computador por mais tempo do que é saudável no dia do seu aniversário.

eu amo escrever. gosto mais do que jamais achei que pudesse um dia gostar, apesar de que ler ainda seja um ato mais prazeroso. mas entre escrever e, efetivamente, viver uma experiência, vou na segunda alternativa sem piscar.

e talvez essa seja a real lição trazida pelos meus 1/4 de século perambulando pelo mundo. eu realmente aprendi que mais vale estar na rua bêbado com seus amigos e sua (eu) namorada (o) que qualquer outra coisa.

e porque não?

se o embate do Arturo Bandini (que já falei em alguns posts abaixo) era o de não ter certeza da força de sua escrita sem experiências para sustentá-la, nada mais natural que ficar na rua.

mas acho que tergiversei.

o fato é que mesmo em um blog sustentado por um marco fixo de tempo e cuja 'proposta' seja o de acompanhar as transformações do meu pensamento, não pode e não deve estar firmemente atrelado à sua proposta original de forma a engessar a minha produção. o que aconteceria, nesse caso, é que que seria dada uma prova inequívoca de que eu não mudei em nada nos últimos três anos. but, boy... you would never guess...

minha produção em prosa e poesia andam meio fracas, por isso a falta de atualizações. existem uma série de contos na minha cabeça. mas eu acho que o exercício é o de fazer eles cada vez mais curtos para que as pessoas tenham saco de ler na internet. ainda não sei como fazer isso. assim que eu descobrir eu posto aqui.

de resto, é isso...

3/5/09

da juventude...

[ou, de como me tornei ranzinza]

cheguei à conclusão, não tão complexa assim, aliás, de que não é possível crer em uma geração que para para conversar na frente de uma porta onde uma multidão de outros parvos, como eles próprios, estão esperando a sua vez de parar para conversar na frente da porta...

3/4/09

Explicações...

Quando Deus criou o mundo Ele só estava interessado em poesia. Mas os homens... ah! os homens... só querem saber de matemática...

deu no que deu...

2/28/09

Quando o trabalho é diversão...

Texto que escrevi sobre o livro/DVD. A minha tentativa é de articular momentos mais poéticos com informação, ao mesmo tempo em que busquei desdobrar o meu texto do próprio livro.

Mas, como disse, é uma tentativa...

Adeus à solidão

“Quem disse que o processo do livro acaba quando o escritor terminar de escrevê-lo?”. A indagação do escritor e diretor curitibano Adriano Esturilho parece quebrar com o óbvio. Tirando as preocupações com design, impressão, lançamento e vendas, que não têm relação direta com o ato da escrita, o trabalho do escritor termina no último ponto final. Certo? Errado! E é isso que ele prova com seu [cancha 2] – cantigas para perverter juvenis, que está sendo relançado no dia 18 de fevereiro no teatro da Caixa, em Curitiba. O evento, além das exibições dos curtas, contará com um bate-papo com os convidados Luiz Felipe Leprevost, Paulo Biscaia Filho e Ricardo Corona. A equipe de peso deve comentar a pesquisa e processos de transposição de linguagens a partir da experiência do [cancha 2].

[cancha 2] é o segundo livro de uma trilogia que já nasceu intermidiática. “No Poesinhas - cantigas para perverter guris, tentei criar poemas curtos a partir de uma voz narrativa com a interferência de um olhar da criança. Agora, no [cancha 2] - cantigas para perverter juvenis, optei por contos curtos, e a voz narrativa é juvenil”, conta Esturilho. O primeiro livro foi transposto para pequenas intervenções teatrais. Este agora busca em curtas-metragem a possibilidade de ampliação ou transformação de significados. Esse trânsito entre linguagens sempre foi uma característica da Processo MultiArtes, coletivo que Adriano integra e que se envolve, justamente, nessa parte de deixar o trabalho literário menos solitário. O lançamento desse livro-DVD é ainda uma forma de veiculação de curtas, mídia que costuma ter muitos problemas para ser exibida em circuito comercial, o que acaba se transformando em uma vitrine para esses realizadores.

Os contos, todos bem curtos, são marcados pelas ‘locações’ curitibanas, pela tensão juvenil e pelo forte exercício estilístico impregnado em cada frase. As referências se cruzam indo de Tim Maia a Radiohead, de Graciliano Ramos a Nick Hornby, passando por Samuel Becket, “sou agridoce, e vivo de sincretismos e misturas estéticas” – explica o autor. Graças a isso, os contos emergem com muita força e sensibilidade desse caldeirão de referências estéticas e das memórias e reflexões do autor sobre a adolescência e juventude. “A tendência nas novas gerações é diminuir a duração da infância, prolongar a adolescência, pular a juventude e passar direto pra vida adulta”, finaliza Esturilho.

[Cancha 2] – cantigas para perverter juvenis se desdobra ainda em outros tantos projetos para a Processo MultiArtes. Além dos curtas que vêm encartados no livro, estão sendo produzidas uma opereta, Ave Maria não Morro, com libreto de Esturilho e composição do maestro Alvaro Naldony, que deverá estrear ainda em 2009, e um longa-metragem, Gol a Gol, com direção de Esturilho e Fábio Allon, que será rodado ainda neste ano. E mesmo com todos esses projetos Adriano já tem o terceiro livro em mente: “pra fechar a trilogia, partirei de vozes narrativas da melhor idade, e o gênero deve ser a novela ou o romance”, que deverá ser transposto para o formato de peça radiofônica.

O livro está sendo lançado pela Editora Medusa, que pareceu ser a casa ideal para o texto de Adriano Esturilho por ter um histórico de experimentação e vinculação com outras mídias, como pode ser notado no trabalho do escritor e editor Ricardo Corona.

2/9/09

grandes diálogos imaginários...

-nunca vou achar, não tem índice!

-é só procurar, ora!

-não tenho coragem, ele já sofreu demais com minhas mãos suadas...

grandes diálogos do cinema...

-você começou a fumar?

-sim... e não está funcionando...

[Filhos da Esperança]

1/7/09

da adaptação e outros demônios...

escrever um livro é uma tarefa árdua. eu sei porque me martirizo por muito menos [ou seja, este blog, reportagens, matérias, entrevistas...]. a escolha da composição, ritmo, estilo... são preocupações que podem te levar a criar uma obra-prima, ou te levar a loucura. o que vier primeiro.

um dos melhores livros que li no ano que passou [e foram muitos, acredite] foi "Pergunte ao Pó", do John Fante. admito que muito do que significa afirmar que este foi um dos melhores reside na minha identificação com o personagem principal, alter-ego do autor, Arturo Bandini. este jovem ítalo-americano, vindo do meio oeste dos EUA para LA, nos duros anos que se seguiram da grande depressão americana é um dos mais densos personagens já escritos.

não me identifiquei com ele por conta de sua ambição de alcançar o estrelato literário. me identifico com sua visão, sempre inconstante e incoerente, sobre si mesmo. como o livro é em primeira pessoa facilmente percebemos a insegurança do jovem que quer se afirmar, mesmo sem ter certeza de seu talento. sem ter certeza de que pode viver de sua arte. de seu texto. de traduzir o mundo sob o prisma de sua alma. mesmo batendo no peito e começando uma eternidade de frases com "nós, grandes escritores...". mas, o que torna um grande escritor, de verdade?

daí surge a minha identificação. Bandini, primeiro, pensa que é preciso ter escalado uma montanha para falar sobre isso. sua falta de experiência, especialmente no campo amoroso, é o principal motivo dele se bloquear, rejeitar seus escritos. mas não é isso que cria um grande escritor. um grande escritor é o homem capaz de enxergar em uma folha todos os cheiros e cores contidos numa floresta. mais! ele deve ser capaz de transmitir isso para seu leitor.

mas não é só disso que o livro trata. ao mesmo tempo, Bandini evita experimentar a vida por ter medo de que sua falta de experiência o denuncie. e ele se martiriza, passa fome, é insultado, insulta e se insulta e nos brinda com belas passagens sobre como construímos imagens do mundo e como nos apoiamos nas imagens.

mas [como tudo na vida tem um mas...]

ontem eu resolvi assistir a adaptação cinematográfica, apesar de já ter sido avisado por apreciadores maiores e melhores que eu que era uma perda de tempo. o problema é que foi uma perda de tempo maior do que eu jamais pensei.

na primeira metade do filme o clima já não era muito animador. tudo bem... salvam-se as atuações, ainda que exitantes. e também o tom geral ainda é o do livro. ainda que o belo texto poético de Fante não seja traduzido em imagens, funciona como um álbum de fotos daquela viagem que você fez para um lugar que sempre quis ir, com uma pessoa que você gosta muito. não substitui a viagem, mas te faz ter boas lembranças. mas, ao mesmo tempo, se você não tivesse viajado, não serão aquelas fotos que te convencerão a ir.

a segunda metade me fez ir dormir triste. e isso não é uma metáfora. o problema não é tomar liberdades em relação à história original. o problema está em tentar reescrever aquilo que está no livro. e pior, reescrever como um dramalhão mexicano. aqui não é o cinema em cena e eu estou longe de ser um pablo villaça, então não vou ficar aqui citando cenas, contrapondo com o livro e buscando o ridículo. apesar da tentação.

a questão central aqui é: se você não gosta de como o autor encaminhou o texto, porque diabos quer fazer uma adaptação dele? crie uma história 'melhor' e deixe a adaptação para alguém que goste de verdade da história. eu acho que todo livro tem, ou pode ter, o seu Peter Jackson.

mas, por outro lado, acabei de ver "O Escafandro e a Borboleta". acredito que tudo o que pode ser dito sobre o filme já está pairando em algum canto da internet. e não, eu não li o livro. mas se aquilo pode ser feito com um história, sem cair, em nenhum momento, no clichê hollywoodiano de superação, força do personagem e afins, acredito que algo tão bom pode e deve ser feito com Pergunte ao Pó.

talvez contratar o Fernando Meireles seja um bom começo.

12/14/08

sobre as mulheres...

como não tenho tido idéias para postar aqui, resolvi criar um mini-portifófio.

esses dois textos mostram um pouco da work in progress que é o texto sob encomenda. a idéia era fazer uma apresentação de uma exposição sobre o corpo feminino e seu lugar no mundo.

na minha primeira versão, achei que eram apenas mulheres que exporiam [o brieffing não estava muito exato nesse sentido], e o que escrevi foi isso:

O corpo delas no mundo

Antes de termos tido nossas mentes encaixotadas pelo machismo ocidental predominante nos últimos dois milênios, nós, homens, reverenciávamos esse outro ser. No caso, essa outra ser. Em parte porque não entendíamos como um animal poderia sangrar por vários dias e não morrer (além de, ocasionalmente, gerarem vida) e parte por que elas cheiravam muito melhor, mesmo naquela época. E, por sermos mais espertos nesses tempos antigos, o que não compreendíamos transformávamos em divindade e adorávamos. Adorar as mulheres era uma atitude consideravelmente mais esperta que adorar, digamos, o fogo. Porque, além delas não queimarem nossas mãos, elas são muito mais bonitas, macias e... eu já mencionei o cheiro?

Desde então, no fundo, no fundo, a maior parte de nossa existência como machos foi tomada pela necessidade de compreendê-las (o que envolve apalpar, na maioria dos casos). Elas sabem que, mesmo com muito esforço, nós nem arranharíamos a superfície de tudo o que significa ser mulher. Bom para elas que, desconfio, adoram esse ar de mistério que lhes é peculiar e natural. Péssimo para nós, que continuamos a ter mais e mais dúvidas, ainda que nos mantenhamos fiéis (os verdadeiros machos) na adoração às nossas deusas.

E já que cada concavidade, convergência, curva, reta, morro, vale, sombra, luz, som, silêncio, essência, textura, cor, movimento que esses misteriosos seres produzem, fazem, exalam, refletem, emitem é, automaticamente, uma poesia, que belo é presenciar como algumas das mais inspiradas representantes do gênero enxerga o seu corpo, o corpo das outras e como tudo isso se configura em nesse imenso espaço-mundo.

E eu, enquanto macho que me prezo, só posso ficar feliz e encantado com um mundo em que as mulheres podem mostrar e pôr à prova as possibilidades de significado que seus (na maioria das vezes, belos) corpos evocam.


depois de esclarecido, devidamente, o fato de que homens estariam expondo [-se], fiz essa segunda versão, que mantém 90% do original:

O pecado original

Antes de termos nossas mentes encaixotadas pelo machismo ocidental predominante nos últimos dois milênios, nós, homens, reverenciávamos esse outro ser. No caso, essa outra ser. Em parte porque não entendíamos como um animal poderia sangrar por vários dias e não morrer (além de, ocasionalmente, gerarem vida) e parte por que elas cheiravam muito melhor, mesmo naquela época. E, por sermos mais espertos nesses tempos antigos, o que não compreendíamos transformávamos em divindade e adorávamos. Adorar as mulheres era uma atitude consideravelmente mais esperta que adorar, digamos, o fogo. Porque, além delas não queimarem nossas mãos, elas são muito mais bonitas, macias e... eu já mencionei o cheiro?

Desde então, no fundo, no fundo, a maior parte de nossa existência como machos foi tomada pela necessidade de compreendê-las (o que envolve apalpar, na maioria dos casos). Elas sabem que, mesmo com muito esforço, nós nem arranharíamos a superfície de tudo o que significa ser mulher. Mas, isso não as impede de tentar nos revelar um pouco de suas essências e que nós tentemos traduzir o que significa entrar em contato com esses corpos que, desde antes do nascimento, já conhecemos intimamente.

E já que cada concavidade, convergência, curva, reta, morro, vale, sombra, luz, som, silêncio, essência, textura, cor, movimento que esses misteriosos seres produzem, fazem, exalam, refletem, refratam, emitem e omitem é, automaticamente, uma poesia, que belo é presenciar como algumas das mais inspiradas representantes do gênero enxerga o seu corpo, o corpo das outras e como tudo isso se configura nesse imenso espaço-mundo. E, além das meta-obras, também entraremos em contato com outros que, como eu, arriscam se manifestar em relação aos corpos que nos colocaram no mundo.

E eu, enquanto macho que me prezo, só posso ficar feliz e encantado com um mundo em que as mulheres podem mostrar e pôr à prova as possibilidades de significado que seus (na maioria das vezes, belos) corpos evocam.

no final das contas, o pessoal gostou tanto que fizeram um mini-banner com o texto que ficou quase como uma das obras da exposição, o que muito me envaideceu:

tá, eu sei que falta um "A" e que eles uniram dois parágrafos. mas o gesto foi muito bonito, vai...

12/2/08

ficção científica...

saudade do tempo em que o futuro eram luzes piscando...

11/26/08

da vida a dois...

li, dia desses, num desses tantos blogues que pululam por aí, um método infalível para fazer com que sua mulher se apaixonasse. lugares-comuns e breguisses à parte, como sempre, fez-se tudo em grande balela.

ora.

depois de tantos e tantos anos, depois de tantas e tantas tentativas frustadas nós não cansamos de infringir a única regra que não possui exceção:

- não criarás regras em relação ao padrão de comportamento humano.

pois é. simples assim.

mas aí, vocês (se é que há um vocês) me perguntam, tio! como é que, então, a gente faz para que a pessoa que a gente gosta se apaixone pela gente?

não faz, ué. e essa é a resposta fácil e cruel. [e cruel por ser, simplesmente, verdadeira]

a resposta menos cruel [e, por isso, menos verdadeira, mas não tanto] é: escute!

esqueça que toda mulher gosta de flores e tente descobrir se a mulher que você gosta, gosta de flores. esqueça que toda mulher gosta de gentilezas e cortesia e descubra se a mulher que você gosta, gosta disso.

meninas, esqueçam que todo homem gosta de cerveja, esqueçam que todo homem gosta de futebol, esqueçam todas as bobagens que suas mães e tias disseram sobre o que os homens gostam e descubram vocês do que os seus homens gostam.

como descobrir isso?

conversem, oras! é incrivelmente bom até mesmo para vocês perceberem, efetivamente, se gostam dessas pessoas.

acreditem. vai dar certo.

11/3/08

o chão...

...se aproximou rápido. foi um encontro dolorido. coloquei meu nariz no lugar, estralei o pescoço e já me preparo para um novo salto...

10/24/08

salto...

quando se pula, as alternativas são, cair ou voar.

cair, geralmente, envolve se encontrar diretamente com o chão. quando a altura é grande, o chão não é alguém de quem você quer ser amigo.

a única esperança é fazer com que passe mais ar por baixo de suas asas que por cima, fazendo com que você erre o chão.

espero, sinceramente, que tudo dê certo...

10/13/08

epiderme lisa da história...

hoje, vindo para o trabalho, escutando rádio, sou presenteado com seguinte pérola:

"a infraero informa que todos os aeroportos do Paraná estão operando normalmente..."

sou só eu que fico assustado com o fato de a normalidade ser notícia?

temei, irmãos... temei...

10/5/08

da velhice...

por que será que quando temos menos tempo de existência é que temos paciência para fazer as coisas lentas e chatas?

9/25/08

post-protesto...

hoje, logo pela manhã, chego no trabalho, ligo meu computador e vou encarar as notícias do dia.

e aí o G1 velho de guerra me presenteia com isso.

tá certo que as pessoas não são obrigadas a fazer sexo o tempo inteiro. tá certo que acho um saco quando as mulheres tem aquele tipo de 'transo o dia inteiro'. tá certo um tanto de coisas.

mas, pense um pouco.

uma geração, anterior a nossa, parou o mundo, se drogou um monte e criou algumas das músicas mais legais de todos os tempos, justamente, para que nós, hoje, possamos transar quando e com quem quisermos.

e aí me vem uns filhinhos-de-papai esfregar na minha cara que [pausa para raspar a garganta] "só vou fazer sexo quando eu encontrar a pessoa certa". meu camarada, não existe a pessoa certa. e outra! como você vai saber que achou a pessoa certa sem base de comparação?

SEUS BURROS!

sexo é um ato divino, sim! mas isso não quer dizer que, fazendo com uma pessoa apenas você está sacralizando o ato. fazendo com uma pessoa apenas, você não terá a menor noção do que estará fazendo. e a outra pessoa também! serão dois insatisfeitos porque não conhecem as possibilidades do amor carnal!

quer tratar o sexo como um ato espiritual? fácil! faça! faça muito! e todas as vezes que estiver fazendo, não faça mais nada naquele momento! seja um com a pessoa. e faça com várias pessoas! com mais velhas! com mais novas! de todas as raças e tamanhos! descubra do que você gosta e do que as pessoas gostam!

isso vai fazer o seu parceiro muito, mas muito feliz...

vai por mim!

mas, quer saber? porque confiar em um arremedo de blogueiro de segunda categoria que não deve comer ninguém, né?

muito melhor confiar nos carinhas que FAZEM A DISNEY ENTUPIR SEUS COFRES DE DINHEIRO!

o que eu sei???

9/18/08

de passagem...

descobri coisas transcendentes em minha última viagem [negócios, deu um aperto no coração preencher isso no hotel... mas...].

descobri que rodoviárias são um reduto incomensurável de emoções. chegadas e partidas, encontros e despedidas. tudo lindo, tudo molhado de lágrimas, tudo muito cheio de significado per si.

também descobri que é um excelente lugar para leitura. foi terminado o novo do Martin Page [não tão fenomenal quanto seu livro de estréia, mas ainda tem seu valor], uma coletância com um arco completo do "Ex-Machina" do Brian K. Vawn [sensacional... sério...] e ainda um monte de divertidas e profundas "Cosmicômicas", daquele jeito que só o sempre incrível Calvino consegue ser [Deus, será que um dia eu vou escrever, pelo menos, próximo daquilo?]. tudo isso em algumas poucas horas, já que o esperto aqui confundiu os horários dos ônibus e causou um pequeno desencontro.

o segredo para ler em rodoviárias é só ficar longe dos lugares de ampla visibilidade. senão, você sempre poderá ser atropelado por alguem querendo visualizar alguém que chegou, ou se despedir de alguém que se vai. não é muito legal.

também as crianças, por algum estranho motivo, ficam hiperativas em rodoviárias. custa comprar uma revistinha para entreter a molecada. os bancos, e isso vale para aeroportos também, são unidos, então uma criança hiperativa te faz balançar quase tanto quanto ela. também não é lá muito legal.

mas, mais do que tudo isso! a coisa mais legal e incrível que eu descobri em relação às rodoviárias é que [perceba que este texto está sendo escrito no segundo semestre de um ano par] praticamente não existem pessoas fazendo campanha política. talvez, não prestei atenção na última campanha, por ser eleição municipal. isso facilita. talvez nas nacionais e estaduais esse pequeno reduto seja maculado.

mas que não ver panfletos, carros de som, bandeiras, estandartes, gente sorrindo amarelo e todos os outros etc´s intrínsecos ao período eleitoral, por algumas horas já me fez um bem danado.